Às onze eu estava morrendo de sono, às onze e meia deitei, uma hora desisti de lutar com a minha cabeça que não para e não me deixa em paz. Eu não quero mais bolinhas cor-de-rosa. Quero achar o botãozinho onde está escrito "desligar". Ah, que maravilha, um simples toque e uma noite inteirinha e tranquila de sono. Sem bolinhas rosas nem nada. Simplesmente deitar e dormir. Mas tô começando a desconfiar que esse botão não existe.
Comecei a ler ontem A Ditadura Escancarada (sim, eu comecei pelo segundo, dá licença) e o que posso dizer do que já li até agora é que foi decepcionante. Não que o livro seja ruim, mas não apresenta nada de novo, pelo menos nada que eu já não soubesse (ó, como eu sou sabidona! hohoho). E convenhamos, de um livro que demorou tanto a ser escrito e está sendo tão aclamado, eu esperava muito mais.
Mas deixa eu terminar de ler primeiro pra poder dar minha opinião definitiva. E decidir se compro ou não o primeiro.
Tive uma reunião hoje com umas figuras que me deram medo. Pra começar, um sósia do Pinochet. Sério.
Mas deixa pra lá. Ah, a maldita ética profissional.
Uma amiga que trabalha no Museu da Cidade conta que todo dia alguém liga pra lá dizendo que "precisa fazer um trabalho" e perguntando coisas do tipo: "quem esculpiu, e quando, a estátua de Zumbi?" Tá escrito em algum lugar que lá funciona um Serviço de Informações Gerais da Cidade, só pode ser. Eu não teria paciência pra essa gente. Mas ela tem, ou é obrigada a ter, e contou que já deixa ao lado do telefone um papelzinho com a população do Rio. Porque todo dia pelo menos uma pessoa liga perguntando isso. Deve ser muito frustrante não poder dar umas das duzentas respostas irônicas que a gente já imaginou.
Li na Stella a transcrição do obituário da Lygia Fernandes, e levei um susto. Caramba! A Lygia Fagundes morreu! A Lygia Fagundes Telles! Já ia ligar pra Nanda pra contar, mas resolvi terminar de ler o post. Tudo esclarecido. Não que não seja triste a morte da Lygia Fernandes, mas pelo menos não foi a Lygia Fagundes, né?
Ufa! Finalmente a luz voltou. Não estava mais aguentando de calor, porque além de faltar luz o mundo está desabando, e as janelas têm que ficar todas fechadas se eu não quiser alagar a casa. Ah, tá bom, confesso: o problema nem era o calor, é que eu tenho medo do escuro mesmo.
Falando em dinheiro... hoje um colega no trabalho comentou (não lembro porque) "tem tanta gente que é tão rica, tão rica, que só tem dinheiro". Meu chefe rapidamente respondeu: "Isso é papo de pobre. E pobre invejoso." E eu completei: "Pobre invejoso, e no dia 5, cheio de conta pra pagar".
Uma amiga se indignou comigo: "A gente não tem dinheiro, mas pelo menos tem cérebro, né? Vai dizer que você preferia ser burra e rica? Duvido!"
recebi sua carta desse estranho Bucsky, datada de 30 de dezembro. Como fiquei contente, minha irmãzinha, com certas frases suas. Não diga porém: descobri que ainda há muita coisa viva em mim. Mas não, minha querida! Você está toda viva! Somente você tem levado uma vida irracional, uma vida que não parece com você. Tania, não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar, querida irmã, minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circustâncias. Depois que uma pessoa perder o respeito de si mesma e o respeito de suas próprias necessidades - depois disso fica-se um pouco um trapo. Eu queria tanto, tanto estar junto de você e conversar, e contar experiências minhas e de outros. Você veria que há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Eu mesma não queria contar a você como estou agora, porque achei inútil. Pretendia apenas lhe contar o meu novo caráter, ou falta de caráter, um mês antes de irmos para o Brasil, para você estar prevenida. Mas espero de tal forma que no navio ou avião que nos levar de volta eu me transforme instantaneamente na antiga que eu era, que talvez nem fosse necessário contar. Querida, quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma num boi? assim fiquei eu..., em que pese a dura comparação... Para me adatar (sic) ao que era inadatável (sic), para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus aguilhões - cortei em mim a força que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também minha força. Espero que você nunca me veja assim resignada, porque é quase repugnante. Espero que no navio que nos leve de volta, só a idéia de ver você e de retomar um pouco minha vida - que não era maravilhosa mas era uma vida - eu me transforme inteiramente. Mariazinha, mulher de Milton, um dia desses encheu-se de coragem, como ela disse, e me perguntou: você era muito diferente, não era? Ela disse que me achava ardente e vibrante, e que quando me encontrou agora se disse: ou esta calma excessiva é uma atitude ou então ela mudou tanto que parece quase irreconhecível. Uma outra pessoa disse que eu me movo com a lassidão de mulher de cinquenta anos. Tudo isso você não vai ver nem sentir, queira Deus. Não haveria nem necessidade de lhe dizer, então... Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos, e que se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Minha irmãzinha, ouça meu conselho, ouça meu pedido: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver. Eu tenho tanto medo de que aconteça com você o que aconteceu comigo, pois nós somos parecidas. Juro por Deus que se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia - será punida e irá para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não será punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo aquilo que sua vida exige. Parece uma moral amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Espero em Deus que você acredite em mim. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber - pois somente saber de sua presença me transformaria e me daria vida e alegria. Isso seria uma lição para você. Ver o que pode suceder quando se pactuou com a comodidade de alma. Tenha coragem de se transformar, minha querida, de fazer o que você deseja - seja sair nos week-end, seja o que for. Me escreva sem a preocupação de falar coisas neutras - porque como poderíamos fazer bem uma a outra sem esse mínimo de sinceridade?
Que o ano novo lhe traga todas as felicidades, minha querida. Receba um abraço de muita saudade, de enorme saudade de sua irmã
O time toma um gol do Olaria. O juiz resolve amenizar as coisas e inventa um pênalti a favor do time da casa. Meio-quilo, vulgo Batatinha, perde o pênalti. Enquanto isso, a torcida sofre nas arquibancadas, que só deixam duas opções a todos que tem menos de 1,80m de altura: ficar sentado com as pernas balançando no ar, ou tentar assistir ao jogo através da grade que fica na altura dos olhos, e que impediu a visão total do gol de empate.
Acrescente-se que é um domingo de muito sol e calor. E, acredite, a arquibancada está cheia, o que não permite esticar as pernas ou mudar de posição. Pra completar, nem tricolor eu sou.
Mas eu adorei a tarde, de verdade, principalmente porque a companhia não podia ser melhor.
Fluminense X Olaria. Campeonato Carioca de 2003. Eu fui e você não foi. Vai dizer que não tá morrendo de inveja?
Eu aproveitei minha semana de férias pra arrumar um outro trabalho. A semana acabou e o trabalho não. Já deu pra perceber que passei uma semana acumulando os dois e não tive tempo pra blogar. Agora voltei à normalidade, mas confesso que já estou sentindo falta de tanta ocupação. Quanto mais trabalho, mais eu tenho do que reclamar. E tenho que admitir que a-do-ro reclamar.
Loja de shopping. Balcão com calças em promoção. Cliente interessada mexendo nas calças, procurando cor/tamanho satisfatório. Vendedor intrometido com cara de nem-adianta-tentar:
- "Só tem tamanho pequeno".
Esse post aí debaixo ficou incoerente. Porque eu também paraliso as filas quando o caixa pergunta "posso ficar te devendo dois centavos?" e eu respondo "não!"
E se você for dono de uma dessas lojas de $1,99 é bom ter sempre moedinhas de um centavo pro troco, ou torcer pra eu nunca entrar na sua loja. Ou deixar de ser mentiroso e colocar um cartaz avisando "aqui tudo custa 2 reais, mas eu escrevo 1,99 pra você se prender ao 1 e achar que está pagando menos do que realmente está, seu otário".
Minha mãe me convenceu que se eu realmente fosse uma boa filha eu iria até uma casa lotérica pagar uma conta pra ela. Pra facilitar, me deu o dinheiro contadinho. Seria coisa rápida. Cheguei na loja vazia (oba! va ser rápido) junto com uma velhinha. Fui educada e deixei ela pagar na minha frente. Ela despejou um saco de moedinhas no balcão e o caixa começou a contar uma por uma. Já estava arrependida de não ter fingido que não tinha visto a velhinha que, afinal de contas, não deve ter nada pra fazer mesmo e poderia passar o dia inteiro na loja (sim, às vezes eu sou má), quando o caixa termina de contar tudo e avisa:
"Tá faltando cinco centavos".
"Não está não! Como pode? Minha neta garantiu que estava certinho! Conta de novo!"
Como assim, "conta de novo"?
O cara contou tudo de novo. Juro. E continuava faltando cinco centavos. A velhinha não se conformou e quis conferir, contando junto com ele. Sugeri que antes de realizarem a operação me deixassem pagar a minha conta, já que meu dinheiro estava contado - e em notas - e seria rápido. Além do mais, eu tenho o que fazer, não sou uma velha desocupada que arruma confusão por causa de cinco centavos*. Claro que a velhinha não deixou.
"Está na minha vez".
Está na sua vez, sua velha safada, porque eu deixei você passar na minha frente. Ódio, ódio, ódio.
Me ofereci, educadamente, para completar os cinco - cinco! - centavos que faltavam. Ela não aceitou, porque ela tinha o dinheiro se precisasse completar, mas também tinha certeza que o dinheiro estava certo e devia estar desconfiando que o cara queria roubá-la em cinco centavos. Vai ver queria mesmo, sei lá. E afinal, estava na vez dela, né? Ela podia fazer o que quisesse, demorar o quanto quisesse, danem-se os outros. Felizmente o caixa teve o bom senso de ignorar as reclamações da velha e recebeu a minha conta. Fui embora e eles ficaram lá, contando moedinhas.
* eu sou uma jovem (há controvérsias) ocupada que arruma confusão por causa de cinco centavos. É diferente.
Não posso cortar o cabelo porque meu cabelereiro está de férias. E viajando.
Minha analista também viajou.
E a faxineira não vem amanhã porque está, claro, viajando.
E eu aqui, trabalhando pra financiar isso tudo.
Mas não estou reclamando. Não mesmo. Pelo contrário, nem percebo o tempo passar, e acabo trabalhando mais do que deveria (leia-se: mais do que estão me pagando para trabalhar). E essa pesquisa de certa forma substitui a análise.
Vocês vão achar que eu sou muito pobre se disser que consegui uma semana de férias em janeiro e estou aproveitando para trabalhar?
Pelo menos choveu pra caramba, então eu não perdi nada . E ainda ganhei um pouquinho. Ah, mas nem é pelo dinheiro mesmo.
Passei o dia pesquisando na Biblioteca Nacional e redescobri que trabalhar também pode ser um prazer. Nem lembrava mais como era isso.
Angelique,
Só vou reclamar pq o desfalque é grande e sei que o que entra nessa casa, às vezes, nunca mais volta (buraco negro)... logo, faça uma sacolinha (creio que deve ser uma sacolona) com meus cds (se vc souber o que é meu e o que é seu) e meus livrinhos e meus snooooooooopy (leia como o locutor do SBT).
É isso, tá registrado o pedido por e -mail.
Como se eu não soubesse onde guardo as coisas. Buraco negro, humpf.
Quanta calúnia! Estou profundamente ofendida.
Só vou fazer a sacolinha porque ri muito lembrando do snoooopy-locutor-do-SBT.
As Duas Torres é muito melhor que a Sociedade do Anel. O que por si só não é vantagem nenhuma, já que considero este último um dos filmes mais chatos que já vi. Mas felizmente resolvi dar uma segunda chance à saga, e as duas torres valeu o ingresso.
Quem assistiu o filme na mesma sessão que eu ainda teve a diversão extra de assistir à discussão de duas mulheres - uma de quase trinta e a outra pra lá dos cinquenta, ou seja, ambas já bem além da idade de protagonizar cenas ridículas em público - por uma cadeira. Quem não viu a origem da briga e só ouviu os gritos de "larga a minha bolsa! solta a minha bolsa!", deve ter achado no mínimo que era uma tentativa de assalto. Mas era apenas uma discussão ridícula (mas, confesso, muito divertida) entre uma mal-educada e uma teimosa.
Fazer dieta e ginástica. Acordar cedo. Ser mais paciente. Voltar a estudar. Terminar de arrumar a casa. Trabalhar menos. Chorar menos. Aproveitar melhor o tempo. Compreender que não posso carregar o mundo nas costas.
Todo primeiro de janeiro tem um pouco de primeiro de abril. ;)